Vintage Omega Seamaster De Ville illustrating classic compact watch proportions in an article about the return of 37–39 mm watches

Porque os relógios de 37 mm estão de volta: a tendência compacta que marca 2026

Durante anos, as caixas de grandes dimensões dominaram grande parte do design relojoeiro moderno. Em 2026, alguns dos lançamentos mais interessantes estão a seguir a direção oposta. Vários relógios mecânicos de marcas importantes estão a regressar à faixa dos 37–39 mm — não como um compromisso nostálgico, mas como uma escolha deliberada de design que procura equilibrar conforto, proporção e sofisticação técnica.

Esta mudança é visível em propostas muito diferentes. A Louis Vuitton recuperou o Monterey numa caixa de cerâmica de 37 mm com movimento automático de manufatura. A Bvlgari redesenhou o Octo Finissimo em torno de um novo formato de 37 mm e de um calibre compacto com microrrotor. A Longines, por sua vez, apresenta o novo Spirit Pilot com 39 mm. Três lançamentos não provam, por si só, que todo o mercado mudou. Mas mostram claramente que os relógios mecânicos compactos voltaram a ser tratados como produtos contemporâneos e tecnicamente sérios.

Porque é que os 37–39 mm voltaram a fazer sentido

O tamanho de um relógio não é apenas um número numa ficha técnica. O diâmetro da caixa influencia o equilíbrio, o conforto, a proporção visual e a forma como o relógio assenta no pulso. Para muitos utilizadores, 37–39 mm oferecem presença suficiente sem fazer com que o relógio domine o pulso.

Além disso, os compradores de hoje têm muito mais contacto com proporções vintage, relojoaria independente e linguagens de design variadas. Isso alargou a ideia do que pode ser um relógio “moderno”. Uma caixa compacta já não é automaticamente vista como antiquada.

Louis Vuitton Monterey: 37 mm, cerâmica e movimento automático

O novo Monterey da Louis Vuitton é um dos exemplos mais claros. A Maison faz remontar o design aos modelos LV I e LV II, criados em 1988 com a arquiteta Gae Aulenti. Em 2026, o Monterey em cerâmica mantém a reconhecível forma arredondada em “seixo”, agora numa caixa de 37 mm disponível em cerâmica preta e verde.

A mudança essencial está no interior. Em vez da arquitetura de quartzo associada à época original, o novo Monterey utiliza o calibre automático de manufatura LFT MA01.02. Segundo a Louis Vuitton, o movimento mede 23 mm de diâmetro, oferece 45 horas de reserva de marcha e funciona a 28.800 alternâncias por hora.

O ponto interessante é precisamente este: a marca não aumentou o relógio apenas para acomodar uma mecânica contemporânea. Desenvolveu a nova interpretação mantendo a identidade compacta de 37 mm.

Bvlgari Octo Finissimo 37: miniaturização como engenharia

A abordagem da Bvlgari é ainda mais técnica. No Watches and Wonders Geneva 2026, a Maison apresentou um Octo Finissimo de 37 mm construído em torno do novo calibre BVF 100.

A Bvlgari afirma que o movimento foi desenvolvido durante três anos e que o seu volume foi reduzido em cerca de 20% face ao movimento utilizado no Octo Finissimo de 40 mm. O calibre tem apenas 2,35 mm de espessura, utiliza um microrrotor em platina e, apesar das dimensões reduzidas, oferece 72 horas de reserva de marcha.

É aqui que a discussão sobre relógios mais pequenos deixa de ser apenas estética. Reduzir uma caixa é relativamente simples se o movimento não acompanhar essa mudança. Conceber um calibre mais compacto mantendo autonomia, fiabilidade e um perfil ultrafino é um verdadeiro desafio relojoeiro.

Longines Spirit Pilot: 39 mm como tamanho moderno para o dia a dia

O novo Longines Spirit Pilot também se posiciona neste território compacto, com 39 mm. A Longines apresenta a coleção como uma interpretação contemporânea da sua herança ligada à aviação, equipada com movimentos automáticos, espiral de silício e certificação de cronómetro COSC.

Os 39 mm são particularmente interessantes porque não parecem excessivamente vintage nem propriamente pequenos. Representam um meio-termo prático: presença suficiente para manter o caráter de um relógio de piloto, mas proporções contidas para utilização diária.

Mais pequeno não significa menos capaz

A conclusão mais útil destes lançamentos não é que todos os relógios devam passar a ter 37 mm. O tamanho do pulso, a distância lug-to-lug, a espessura, a largura da luneta e a abertura do mostrador influenciam muito a presença real de um relógio.

O que está a mudar é a ideia de que ambição técnica exige necessariamente uma caixa grande. A Bvlgari mostra que uma engenharia séria pode suportar proporções menores. A Louis Vuitton mostra que um design de culto pode regressar sem ser aumentado para agradar ao mercado atual. E a Longines mostra que um relógio desportivo de 39 mm pode parecer completamente contemporâneo.

O que isto significa para marcas independentes

Para marcas independentes e microbrands, esta evolução é especialmente interessante. Produções mais pequenas permitem ouvir mais diretamente os clientes e explorar proporções que fabricantes de grande volume podem ter evitado durante anos.

Na EP Watches, a proporção também faz parte da reflexão de design. O L’Éclipse, por exemplo, utiliza uma caixa de 38 mm — uma dimensão pensada para equilibrar presença no pulso e conforto de utilização diária, em vez de procurar simplesmente o maior diâmetro possível.

Esta é talvez a principal lição do regresso dos relógios compactos: o melhor tamanho não é o maior nem o mais pequeno. É aquele que faz o design, a mecânica e a pessoa que o usa funcionarem em conjunto.

37 mm será o novo padrão?

Provavelmente não — e isso pode ser precisamente o melhor do mercado atual. A relojoaria está a tornar-se mais diversa em termos de proporções. Divers de grandes dimensões, dress watches compactos, relógios de piloto de 39 mm e peças ultrafinas de 37 mm podem coexistir perfeitamente.

O que 2026 está a mostrar é que a faixa dos 37–39 mm deixou de ser um nicho reservado aos fãs de relógios vintage. Voltou a ser um espaço sério de design para grandes marcas, movimentos tecnicamente ambiciosos e relojoaria mecânica contemporânea.

Para os colecionadores, significa mais escolha. Para os relojoeiros, significa que a proporção voltou a fazer parte da própria engenharia.


Fontes

Crédito da imagem: fotografia de um Omega Seamaster De Ville por Fourdee, via Wikimedia Commons. O autor colocou a fotografia em domínio público. É utilizada neste artigo apenas como ilustração histórica das proporções compactas na relojoaria e não está relacionada com os produtos de 2026 aqui referidos. Origem e informação da licença.

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